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Uma manchete assim chama atenção, mas quando o assunto é medicamento em fase de estudo, é essencial que se explique o contexto.
No caso da retatrutida (o novo medicamento da Eli Lilly que vem sendo acompanhado de perto por médicos, pesquisadores e pela imprensa), a informação sobre desistências não significa que “deu errado”.
Significa que estamos olhando para um ensaio clínico real, com dados de segurança e tolerabilidade sendo registrados como devem ser. E isso inclui, sim, participantes que interrompem o tratamento antes do fim.
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Este é o primeiro ponto que precisa ser esclarecido, porque as manchetes podem gerar a impressão de que o medicamento já está disponível, quando ele ainda está em fase de estudo.
Segundo a própria Eli Lilly, a retatrutida é um medicamento investigacional (ou seja, em estudo), aplicada em injeção semanal, e ainda em fase 3 de ensaios clínicos.
A empresa também informa que o lançamento depende da conclusão dos estudos e do processo regulatório.
ainda não é um medicamento aprovado
não está liberado para uso público
ainda depende de resultados finais + avaliação regulatória
novos resultados do programa TRIUMPH são esperados em 2026
Sim. E isso é o funcionamento normal de pesquisa clínica.
As diretrizes CONSORT (usadas para padronizar e melhorar a transparência dos ensaios clínicos randomizados) indicam que perdas de seguimento e interrupções de tratamento precisam ser reportadas por grupo, com motivos. O próprio material explicativo do CONSORT diz que a perda de acompanhamento muitas vezes é inevitável, e por isso deve ser relatada.
Então, o que deve ser observado aqui não é apenas se houve desistências, porque isso pode acontecer em muitos estudos. É importante destacar:
quantas pessoas desistiram
em qual dose
por quais motivos
como isso se compara ao placebo
se o estudo descreveu isso com transparência
A Lilly divulgou os resultados principais do estudo de fase 3 TRIUMPH-4 em dezembro de 2025. Foi um estudo de 68 semanas, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com 445 participantes com obesidade ou sobrepeso e osteoartrite de joelho.
|
Dado |
Retatrutida 9 mg |
Retatrutida 12 mg |
Placebo |
|
Perda média de peso |
26,4% |
28,7% |
2,1% |
|
Descontinuação por eventos adversos |
12,2% |
18,2% |
4,0% |
Fonte: resultados principais divulgados pela Lilly (dez/2025).
Ou seja: os resultados de perda de peso foram muito expressivos, mas as taxas de descontinuação por eventos adversos também chamaram atenção, principalmente na dose de 12 mg.
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Esse ponto veio da própria comunicação da Lilly sobre o TRIUMPH-4.
A empresa informou que as taxas de descontinuação por eventos adversos estavam altamente correlacionadas ao IMC inicial e que incluíam interrupções por “percepção de perda de peso excessiva”.
Isso é bem diferente de dizer que “o remédio fez mal porque emagreceu demais”.
O que os dados permitem afirmar, neste momento, é:
houve desistências por eventos adversos, como em outros estudos
entre os motivos relatados pela Lilly, apareceu a percepção de perda de peso excessiva
a taxa foi maior nas doses mais altas
o perfil parece variar conforme o IMC inicial dos participantes
A própria Lilly também destacou que, ao olhar apenas participantes com IMC ≥ 35, as taxas de descontinuação por eventos adversos caíram para 8,8% (9 mg) e 12,1% (12 mg), contra 4,8% no placebo.
Os eventos mais comuns foram os já vistos com medicamentos da classe incretina (ou seja, sintomas gastrointestinais), como:
náusea
diarreia
constipação
vômitos
redução do apetite
A Lilly também chamou atenção para a disestesia (sensação anormal, como formigamento/queimação), que apareceu em parte dos pacientes, especialmente na dose de 12 mg, e foi descrita como geralmente leve e rara como motivo de interrupção.
O apelido “molécula Godzilla” (ou “Triple G”, em algumas matérias) surgiu porque a retatrutida é uma molécula única que ativa três receptores hormonais ao mesmo tempo: GIP, GLP-1 e glucagon.
Isso a diferencia dos medicamentos atuais mais conhecidos, que atuam em 1 receptor (como os agonistas de GLP-1) ou em 2 receptores (como os duplos agonistas).
É um hormônio liberado pelo intestino após as refeições. Ele ajuda o corpo a lidar melhor com a glicose e também influencia o apetite. Os principais efeitos são:
estimula a liberação de insulina quando a glicose está alta (efeito dependente da glicose)
reduz o glucagon após a refeição
desacelera o esvaziamento do estômago
aumenta a sensação de saciedade (ajuda a comer menos)
Também é um hormônio intestinal liberado quando a pessoa come. Ele faz parte do chamado “efeito incretina”, que é a resposta do intestino ajudando o pâncreas a secretar insulina depois da refeição.
Na prática, o GIP:
estimula a secreção de insulina (também de forma dependente da glicose)
tem comportamento diferente do GLP-1 em relação ao glucagon (pode não inibir, e em alguns contextos até estimular)
não retarda o esvaziamento gástrico como o GLP-1
Esse hormônio é produzido nas células alfa do pâncreas e é mais conhecido por “fazer o contrário” da insulina em alguns contextos: ele ajuda o fígado a liberar glicose, principalmente em jejum ou quando a glicemia cai.
Só que o glucagon não atua apenas nisso. Ele também está ligado a:
metabolismo hepático de gordura e aminoácidos
aumento do gasto energético em alguns contextos
possível participação no controle do apetite
É essa parte do gasto energético/metabolismo que chama atenção quando se fala em retatrutida.
A lógica da retatrutida é combinar efeitos que atuam por caminhos diferentes:
GLP-1: ajuda a reduzir a fome, aumenta saciedade e desacelera a digestão
GIP: reforça a resposta metabólica pós-refeição e a sinalização incretínica
Glucagon: acrescenta um componente ligado ao gasto energético e ao metabolismo hepático
Ao mesmo tempo, existe um equilíbrio importante: o glucagon pode aumentar a glicose, então a combinação com hormônios de perfil “incretínico” (como GLP-1 e GIP) ajuda a compensar esse efeito em estratégias terapêuticas desse tipo.
Esse conceito de combinar glucagon com um agente que reduz glicose já aparece em discussões fisiológicas e no desenvolvimento de novos agonistas metabólicos.
Tudo sobre Ozempic na série Belt Nutrition e canetas emagrecedoras
Se você viu a manchete “participantes desistiram por emagrecer demais”, o contexto é este:
sim, houve desistências
sim, desistências são esperadas e precisam ser reportadas em ensaios clínicos
o dado já estava no material divulgado pela Lilly em dezembro de 2025
o estudo ainda não representa medicamento aprovado
retatrutida segue em fase 3 e não está à venda.
A Belt Nutrition tem um conteúdo completo explicando o medicamento, mecanismo de ação, diferenças em relação a outras canetas e o que já se sabe até agora.
Na Belt Nutrition, nós acompanhamos de perto os avanços em obesidade, metabolismo e suplementação porque isso impacta diretamente pacientes, famílias e profissionais de saúde.
Nosso compromisso é trazer notícias e estudos de forma clara e com contexto. Quando saírem novos resultados da retatrutida (ou de outros medicamentos em investigação), você pode acompanhar por aqui.
DRUGS.COM. Lilly's Triple Agonist, Retatrutide, Delivered Weight Loss of Up to an Average of 71.2 lbs Along with Substantial Relief from Osteoarthritis Pain in First Successful Phase 3 Trial. Drugs.com MedNews (reprodução de comunicado PRNewswire), 11 dez. 2025. Disponível em: https://www.drugs.com/clinical_trials/lilly-s-triple-agonist-retatrutide-delivered-weight-loss-up-average-71-2-lbs-along-substantial-22263.html. Acesso em: fev. 2026.
ELI LILLY AND COMPANY. Lilly's triple agonist, retatrutide, delivered weight loss of up to an average of 71.2 lbs along with substantial relief from osteoarthritis pain in first successful Phase 3 trial. Lilly Investor Relations, 11 dez. 2025. Disponível em: https://investor.lilly.com/news-releases/news-release-details/lillys-triple-agonist-retatrutide-delivered-weight-loss-average. Acesso em: fev. 2026.
ELI LILLY AND COMPANY. What to know about retatrutide. Lilly, FAQ (conteúdo revisado clinicamente), atualização em dez. 2025. Disponível em: https://www.lilly.com/news/stories/what-to-know-about-retatrutide. Acesso em: fev. 2026.
Giblin K, Kaplan LM, Somers VK, Le Roux CW, Hunter DJ, Wu Q, Lalonde A, Ahmad N, Bethel MA. Retatrutide for the treatment of obesity, obstructive sleep apnea and knee osteoarthritis: Rationale and design of the TRIUMPH registrational clinical trials. Diabetes Obes Metab. 2026 Jan;28(1):83-93. doi: 10.1111/dom.70209. Epub 2025 Oct 15. PMID: 41090431; PMCID: PMC12673447.
MCKENZIE, Barba. People dropped out of retatrutide trial for losing too much weight. New York Post, 18 fev. 2026. Disponível em: https://nypost.com/2026/02/18/health/people-dropped-out-of-retatrutide-trial-for-losing-too-much-weight/. Acesso em: fev. 2026.
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