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Na primeira parte da entrevista do Dr. Rodrigo Camargo à Raquel Stevan, da UniGloves® Brasil, no quadro InDica, o foco esteve no reganho de peso após o uso das canetas emagrecedoras. A mensagem era: a medicação não sustenta o resultado sozinha.
Neste novo recorte da entrevista, a conversa avança para outro ponto que costuma acompanhar muitos pacientes por anos: a culpa por não conseguir emagrecer.
Em resposta, Dr. Rodrigo Camargo é direto: “não, a obesidade não é culpa do paciente.”
Essa fala ajuda a recolocar a obesidade no lugar certo: o de doença crônica e multifatorial, não o de fracasso pessoal. Esse entendimento é essencial para qualquer discussão séria sobre o tema.
Ao final deste conteúdo, você pode conferir o vídeo da entrevista.
Logo no início da entrevista, o Dr. Rodrigo Camargo resume o ponto central da conversa:
“A obesidade é uma doença com aspectos genéticos muito importantes, com aspectos ambientais importantes, mas não é uma doença que se pode dizer que teve falta de força de vontade ou falta de disciplina.”
Quando a doença é tratada apenas como uma falha individual, o paciente deixa de ser visto dentro da complexidade clínica do quadro e passa a ser julgado de forma simplista. Esse tipo de leitura empobrece a discussão e afasta muita gente do cuidado.
Dr. Rodrigo Camargo reforça que alimentação e atividade física seguem ligadas ao tratamento da obesidade e à saúde de forma mais ampla. Esse ponto é importante porque evita dois erros comuns: responsabilizar o paciente por tudo ou considerar que o estilo de vida não influencia.
O cuidado com a saúde envolve rotina, alimentação, movimento, sono e acompanhamento profissional. Mas a obesidade não pode ser interpretada como se todos os pacientes partissem do mesmo contexto biológico, emocional, social e ambiental.
Muitas pessoas passam anos tentando emagrecer, fazendo dietas, retomando planos, interrompendo processos e voltando a ganhar peso, e esse é um histórico que não pode ser ignorado.
Outro ponto importante da entrevista aparece quando o Dr. Rodrigo Camargo fala sobre o medo do julgamento ao recorrer a tratamentos como cirurgia bariátrica ou medicamentos.
“São ferramentas que a medicina tem para o tratamento da obesidade.”
Essa frase é importante porque combate a ideia de que procurar ajuda seria “admitir derrota”. Não é. Tratamento é tratamento. Cirurgia, canetas emagrecedoras e acompanhamento multiprofissional são recursos da medicina para pacientes com indicação clínica. Ninguém deveria se sentir menor por usar uma ferramenta terapêutica.
“Ninguém tem culpa de ter pressão alta, ninguém tem culpa de ter um tipo de câncer. Então, por que para outras doenças há acolhimento e, nos casos de obesidade, há julgamento?”
A obesidade continua sendo cercada por julgamentos morais que não costumam aparecer com a mesma intensidade em outras doenças crônicas. Em vez de acolhimento, muitos pacientes recebem comentários, olhares e avaliações atravessadas por preconceito.
Dr. Rodrigo Camargo também lembra que esse processo não começa na vida adulta. Muitas vezes, ele acompanha o paciente desde cedo, ainda na infância, em experiências de exclusão e bullying relacionados ao corpo.
Esse ponto merece atenção porque o preconceito repetido ao longo dos anos altera a forma como a pessoa passa a se enxergar. Em alguns casos, o julgamento deixa de vir apenas de fora e passa a ser internalizado pelo próprio paciente.
Dr. Rodrigo Camargo também amplia o olhar sobre o problema. A obesidade não é culpa individual e seu enfrentamento não depende apenas da decisão de cada pessoa.
Há uma dimensão coletiva nessa discussão: acesso a tratamento, informação correta, combate ao preconceito e construção de uma cultura de cuidado mais séria.
Outro ponto relevante é que o estigma pode aparecer até em ambientes que deveriam acolher. Quando a obesidade é tratada como falha moral, o paciente passa a sentir que precisa provar esforço o tempo todo, inclusive diante de profissionais.
Isso distorce a relação com o cuidado. Em vez de procurar ajuda com confiança, muita gente adia consultas, evita exames, abandona acompanhamento ou chega ao tratamento já esperando julgamento.
Falar de obesidade com seriedade passa, necessariamente, por combater esse tipo de postura.
Muitos pacientes passam anos tentando emagrecer, recuperando peso, recomeçando estratégias e acumulando frustração. Esse desgaste vai além da balança. Ele afeta autoestima, relação com o corpo, disposição para tentar de novo e confiança em qualquer plano terapêutico.
Este novo recorte da conversa com o Dr. Rodrigo Camargo reforça uma ideia central: a obesidade precisa ser tratada como doença, e não como falha individual.
Se, no primeiro post, o foco esteve no reganho de peso após o tratamento, agora a entrevista destaca um ponto que também precisa entrar nessa discussão: o estigma que recai sobre quem vive com obesidade.
A obesidade já impõe desafios suficientes. O julgamento não deveria ser mais um deles.
Assista ao vídeo completo da entrevista com Dr. Rodrigo Camargo, no quadro InDica, com Raquel Stevan, da UniGloves® Brasil.
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