Cerca de um quarto das pessoas com mais de 65 anos na Grã-Bretanha sofre de solidão, o que pode aumentar o risco de muitas doenças e pode reduzir a expectativa de vida das pessoas. Enquanto isso, quase dois terços destas pessoas está acima do peso.

Diante deste cenário, pesquisadores da Universidade de Cambridge buscaram, pela primeira vez, relacionar a solidão à obesidade. 

O estudo Elucidating the genetic basis of social interaction and isolationpublicado na revista Nature Communications, avaliou o impactos negativos do isolamento social e da solidão na saúde e na obesidade.

Os pesquisadores descobriram áreas semelhantes nos genes destas pessoas, que aumentam a probabilidade de estarem acima do peso e também influenciam o isolamento social.

Segundo o Dr. John Perry, pesquisador sênior da Universidade de Cambridge e um dos autores do estudo, a partir da genética foi possível identificar a associação entre solidão e obesidade.

O estudo

Para o estudo, foi analisada a variação genética em cerca de 480 mil participantes do UK Biobank, que responderam um questionário sobre a solidão percebida, a frequência das interações com os outros e a qualidade dessas interações.

Foram avaliadas a associação genética para a solidão e a participação regular em atividades sociais. No DNA dos participantes, foram identificadas sequências específicas relacionadas à solidão e à obesidade, que demonstravam uma provável associação entre elas, bem como a sintomas depressivos.

Também foram analisados a constituição genética destes indivíduos, a fim de determinar sua suscetibilidade para a solidão.

Os pesquisadores observaram que naqueles que se consideravam solitários, havia 15 particularidades em áreas específicas de seu DNA. Estas áreas, ligadas a uma região cerebral associada ao autocontrole emocional, estavam presentes no material genético das pessoas com excesso de peso. Desta forma, torna-se mais fácil compreender por que algumas pessoas são felizes vivendo solitárias e outras não.

Também no estudo, pesquisadores descobriram que determinados genes tornam mais provável que as pessoas sejam mais sociáveis.

Variação genética

Foram identificadas também variações genéticas específicas naqueles que mantém o hábito de sair pelo menos uma vez por semana, que participam de grupos religiosos ou frequentam clubes esportivos ou academia, bares ou eventos sociais. Estas características estiveram sempre relacionadas às regiões do cérebro que controlam a expressão emocional e o comportamento.

Além de traços psiquiátricos e psicológicos, vários resultados antropométricos mostraram correlações genéticas positivas com a solidão. Uma delas foi o IMC. Embora tenham sido encontradas evidências apoiando um efeito causal positivo do IMC na solidão, o inverso não aconteceu. Ou seja, a solidão não interferiu no IMC. No caso de sintomas depressivos, em vez de solidão foram encontradas evidências que sustentam uma relação causal bidirecional positiva com o IMC. Essas análises sugerem ligações causais diretas entre o bem-estar social e a saúde cardiometabólica.

Atividades sociais e obesidade

Todas as características analisadas no estudo foram extraídas de um questionário com perguntas dirigidas. A solidão e o isolamento social foram avaliados por meio de questões como “Você se sente solitário?”, “Incluindo você, quantas pessoas estão vivendo juntas em sua casa?” ou “Quantas vezes você visita amigos ou familiares ou faz com que eles visitem você?”.

Para verificar a qualidade das interações sociais, foi perguntado "Com que frequência você pode confiar em alguém próximo a você?". O engajamento em atividades sociais foi determinado em resposta à pergunta “Qual dos seguintes você participa uma vez por semana ou mais? clube esportivo ou academia, pub ou clube social, grupo religioso, cursos e outra atividade de grupo”.

O estudo destacou, portanto, a base genética específica para o isolamento ou a interação social. Houve evidências de efeitos genéticos compartilhados entre estas características, além de uma relação causal entre a saúde cardiometabólica, o isolamento e a saúde mental.

Conclusão

A qualidade e a quantidade de interações sociais são fatores bem estabelecidos na saúde e na doença, particularmente entre os idosos. A magnitude dos efeitos da solidão nesta população é fortemente associada ao aumento da mortalidade por diversas causas, comparável ao tabagismo ou a obesidade.

Embora diversos fatores socioeconômicos, comportamentais e fisiológicos tenham sido associados à solidão, a natureza dessas relações até então era pouco clara.

Mas agora, segundo o Dr. John Perry, não se pode mais pensar que a solidão é impulsionada puramente pelo ambiente e experiências de vida. Também os genes podem desempenhar este papel, havendo, portanto, uma mistura complexa entre a genética e o meio em que vivem.

Desta forma, é provável que o combate à obesidade também possa reduzir a solidão, sendo mais uma importante ferramenta para enfrentar a epidemia da solidão.

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Fonte: ABESO