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A adolescência costuma ser uma fase cheia de mudanças no corpo, nas emoções, nos hábitos. E não é raro que essas transformações todas acabem se refletindo na saúde. Nos últimos anos, pesquisas vêm mostrando que questões relacionadas ao peso e ao bem-estar emocional estão se tornando cada vez mais frequentes nessa etapa da vida.
De acordo com o segundo relatório da Comissão Lancet sobre saúde de adolescentes, até 2030 o mundo pode ter mais de 460 milhões de jovens com sobrepeso ou obesidade, e milhões de outros vivendo com transtornos como ansiedade, depressão e sofrimento emocional intenso. Isso significa que muitos adolescentes estão convivendo com problemas que poderiam ser prevenidos ou tratados com cuidado e apoio no momento certo.
A Belt Nutrition sabe da importância de promover saúde desde a infância e de acompanhar as necessidades que surgem em cada fase da vida. A relação entre peso e saúde mental faz parte da rotina de muitas famílias, e entender como esses dois aspectos se conectam pode ajudar quem convive ou trabalha com adolescentes. É com esse olhar que trazemos o tema e falar sobre isso faz parte do nosso compromisso de promoção de saúde em todas as fases da vida.
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Os dados trazidos por esse relatório mostraram que a prevalência de sobrepeso e obesidade aumentou até oito vezes em alguns países da África e da Ásia nas últimas três décadas. Ao mesmo tempo, crescem os diagnósticos de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático entre adolescentes em diferentes regiões do mundo.
Problemas estes que estão interligados: jovens que enfrentam sofrimento emocional podem adotar hábitos alimentares desordenados ou manter um estilo de vida sedentário, enquanto o excesso de peso, por sua vez, pode desencadear baixa autoestima, bullying e isolamento social.
Os especialistas reforçam que investir na saúde dos jovens traz benefícios em diferentes níveis: protege o adolescente hoje, influencia positivamente sua vida adulta e contribui para a saúde das próximas gerações. Ainda assim, os recursos voltados para essa faixa etária seguem muito abaixo do necessário, considerando a carga de doenças envolvida.
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Diversos fatores globais vêm agravando a situação. A pandemia de covid-19 desorganizou rotinas, aumentou o isolamento e a insegurança emocional. As mudanças climáticas e os conflitos em várias regiões do mundo contribuíram para deslocamentos e insegurança alimentar.
Outro ponto importante é a influência da publicidade e das escolhas alimentares: a exposição intensa a produtos ultraprocessados e bebidas adoçadas afeta diretamente o comportamento dos adolescentes. O consumo desses produtos vem aumentando consideravelmente, favorecendo o ganho de peso e a piora nos padrões de saúde.
Esses fatores são externos, mas moldam o ambiente onde os adolescentes vivem, afetando tanto o corpo quanto a mente.
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Adolescentes com sobrepeso ou obesidade estão mais expostos a comentários maldosos, exclusão e discriminação, tanto no ambiente escolar quanto nas redes sociais. Esse estigma afeta diretamente a autoestima, favorece o isolamento e pode desencadear ou agravar quadros de ansiedade e depressão. Em muitos casos, a relação com o próprio corpo fica comprometida, dificultando a adoção de hábitos saudáveis de forma espontânea e positiva.
Estresse emocional pode desencadear episódios de “comer para aliviar” (fome emocional). Esse comportamento, por sua vez, leva ao aumento de peso, que agrava o estigma e a ansiedade, formando um ciclo difícil de romper. Por isso, intervenções precisam mirar corpo e mente ao mesmo tempo.
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A forma como o adolescente é acolhido influencia diretamente sua motivação para cuidar da saúde. Evitar rótulos, focar no bem-estar em vez da aparência e manter o diálogo aberto são atitudes que fazem a diferença. Metas realistas, comunicação respeitosa e escuta ativa ajudam a construir uma relação de confiança, seja em casa, na escola ou em atendimentos profissionais.
A recomendação é ao menos 60 minutos diários de atividade física moderada ou vigorosa, mas isso não significa academia obrigatória. Caminhar com amigos, dançar, andar de bicicleta ou brincar de esportes coletivos são opções. Escolher algo que dê prazer aumenta a adesão.
O cuidado com adolescentes é mais efetivo quando envolve todos os ambientes em que eles vivem. A escola é um centro estratégico ao oferecer programas de alimentação saudável e ações de saúde mental que impactam alunos, famílias e a comunidade. Já em casa, o diálogo aberto e o apoio dos responsáveis ajudam a sustentar essas iniciativas. Quando família, escola e serviços de saúde atuam juntas, o adolescente encontra uma rede de proteção na qual pode confiar.
Procure acompanhamento profissional se o adolescente apresentar:
O adolescente precisa ser acompanhado por profissionais de saúde que consigam olhar para ele de forma integral. Na maioria dos casos, médico, nutricionista e psicólogo já oferecem a base do cuidado. Quando a situação é mais complexa, outros especialistas podem ser envolvidos ou até mesmo um encaminhamento para serviços públicos pode ser necessário.
A obesidade entre adolescentes é uma realidade que preocupa também no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada cinco crianças e adolescentes está acima do peso, e estudos mostram que cerca de 60% desses jovens manterão a obesidade na vida adulta.
Doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e dislipidemias tendem a aparecer mais cedo e de forma mais agressiva quando associadas à obesidade na adolescência. Além disso, os efeitos emocionais, como baixa autoestima, ansiedade e depressão, fazem parte desse mesmo cenário.
Foi nesse contexto que o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em maio de 2025, a Resolução nº 2.429/2025, atualizando os critérios da cirurgia bariátrica e metabólica no país. A decisão se baseia em evidências internacionais que comprovam que a cirurgia é eficaz, segura e pode representar uma necessidade médica em adolescentes com obesidade grave.
Explicamos em outro blog post todas as mudanças da nova resolução do CFM sobre cirurgia bariátrica e metabólica. Vale a leitura!
Em ambos os casos, são exigidos:
Não é só a cirurgia bariátrica que passou a alcançar adolescentes. O avanço da ciência e o reconhecimento da obesidade como uma doença crônica, multifatorial e progressiva também abriram espaço para que algumas medicações injetáveis, antes restritas a adultos, fossem aprovadas para uso em menores de 18 anos.
Esses medicamentos atuam no controle do apetite, na regulação do metabolismo e na redução de peso corporal, sempre como parte de um tratamento que inclui alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento multiprofissional.
Assim como a cirurgia, a prescrição dessas medicações para adolescentes exige critérios clínicos bem definidos e acompanhamento contínuo.
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Medicamento (marca) |
Princípio ativo |
Indicação em adolescentes |
Idade |
Fonte |
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Wegovy® |
Semaglutida |
Controle de peso em adolescentes com obesidade (adjuvante de dieta e atividade física) |
≥ 12 anos (≥60 kg) |
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Saxenda® |
Liraglutida |
Controle de peso em adolescentes com obesidade (adjuvante de dieta e atividade física) |
≥ 12 anos (≥60 kg) |
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Trulicity® |
Dulaglutida |
Diabetes tipo 2 (pediátrico); não é indicação para obesidade |
≥ 10 anos |
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Mounjaro® / Zepbound® |
Tirzepatida |
Sem indicação pediátrica no Brasil (obesidade/DM2 restrito a adultos) |
< 18 anos: não estabelecido |
Essas aprovações refletem o crescente entendimento de que a obesidade infantil exige estratégias clínicas seguras, individualizadas e baseadas em evidências científicas, sempre com foco na saúde.
Nutrição, bem-estar emocional e desenvolvimento físico fazem parte de um mesmo contexto. A alta de diagnósticos de obesidade e transtornos mentais na adolescência reforça a importância de cuidados integrados e precoces, com participação ativa da família, orientação profissional adequada e respeito à individualidade de cada jovem.
Tratar o adolescente com atenção ao todo, corpo e mente, contexto social e histórico familiar, é o caminho para promover saúde de verdade. O que se espera é que cada vez mais famílias, profissionais e instituições estejam preparados para isso.
A Belt Nutrition acredita nesse cuidado contínuo. Ao lado de quem cuida, seguimos comprometidos com soluções que contribuam para uma adolescência mais saudável e equilibrada.
Baird S, Choonara S, Azzopardi PS, Banati P, Bessant J, Biermann O, et al. A call to action: the second Lancet Commission on adolescent health and wellbeing. Lancet. 2025 May 31;405(10493):1945-2022. doi: 10.1016/S0140-6736(25)00503-3.
Medscape. Obesidade e saúde mental preocupam cada vez mais na adolescência, indica a comissão do Lancet. Disponível em: https://portugues.medscape.com/verartigo/6512752 Acesso em: maio de 2025.
Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.429/2025 – estabelece novos parâmetros para a cirurgia bariátrica e metabólica no Brasil. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2025/2429. Acesso em: agosto de 2025.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Wegovy® (semaglutida) – ampliação de uso para adolescentes com obesidade. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/wegovy-semaglutida-ampliacao-de-uso Acesso em: agosto de 2025.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Saxenda® (liraglutida) – nova indicação para adolescentes com obesidade. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/saxenda-liraglutida-nova-indicacao Acesso em: agosto de 2025.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Trulicity® (dulaglutida) – ampliação de uso pediátrico para diabetes tipo 2. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/trulicity-dulaglutida-ampliacao-de-uso Acesso em: agosto de 2025.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Mounjaro® (tirzepatida) – nova indicação para controle de peso em adultos. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao Acesso em: agosto de 2025.
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