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Há pouco tempo, contamos aqui no Blog Belt Nutrition como a tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro®, se tornou um medicamento promissor no cuidado de adultos com diabetes tipo 2 e obesidade.
Faltava saber se a “caneta” também estaria disponível para jovens, e a resposta veio em seguida, em 22 de abril de 2026, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento em crianças e adolescentes a partir de 10 anos com diabetes tipo 2.
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O diabetes tipo 2 já não é exclusividade de adultos: ele vem aparecendo cada vez mais cedo. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) mostram que aproximadamente 213 mil crianças e adolescentes vivem com a doença e outros 1,5 milhão estão em pré-diabetes no Brasil.
Além disso, projeções da American Diabetes Association (ADA) indicam que a prevalência mundial em menores de 20 anos deve quadruplicar nas próximas décadas. Esse crescimento acontece num cenário em que o diabetes juvenil tende a evoluir mais rápido e causar complicações antes mesmo da vida adulta.
Alguns pontos ajudam a entender por que os especialistas se preocupam:
Evolução mais agressiva: em crianças, o metabolismo ainda está em formação e a resistência à insulina, um dos principais mecanismos do diabetes tipo 2, progride rapidamente. Isso pode levar a complicações precoces como hipertensão, alterações no colesterol e esteatose hepática.
Influência do ambiente: o aumento do sedentarismo, a alimentação rica em ultraprocessados e o uso excessivo de telas favorecem o ganho de peso e dificultam a adoção de hábitos saudáveis. Crianças que convivem com familiares sedentários ou que têm acesso restrito a alimentos frescos estão mais vulneráveis.
Hereditariedade: filhos de pais com diabetes ou síndromes metabólicas têm maior chance de desenvolver a doença. Em meninas, condições como a síndrome dos ovários policísticos também elevam o risco.
Diagnóstico tardio: sintomas como sede excessiva, fadiga e perda de peso podem ser interpretados como fases de crescimento. Quando a doença é finalmente detectada, a glicemia já está muito alta e pode requerer insulina desde o início.
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Até abril de 2026, a tirzepatida só era indicada para adultos. A Resolução‑RE nº 1.592 da Anvisa atualizou a bula para incluir pacientes pediátricos a partir de 10 anos de idade, com diabetes tipo 2.
Isso significa que, sob orientação médica, meninos e meninas nessa faixa etária que já fazem tratamento com metformina e/ou insulina e não atingem as metas glicêmicas poderão receber a medicação.
É importante lembrar que toda ampliação de indicação passa por uma avaliação rigorosa da agência, baseada em estudos clínicos que demonstram qualidade, segurança e eficácia.
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A ampliação do uso pediátrico foi baseada principalmente no estudo SURPASS-PEDS, que avaliou adolescentes de 10 a 17 anos com diabetes tipo 2. Todos já faziam tratamento com metformina, insulina ou ambos, mas ainda estavam com a glicose acima do ideal.
Os participantes foram divididos em três grupos: um recebeu tirzepatida 5 mg por semana, outro 10 mg por semana e o terceiro recebeu placebo. A comparação entre esses grupos mostrou resultados importantes.
Melhora da hemoglobina glicada (HbA1c): os adolescentes que receberam tirzepatida reduziram em média cerca de 2 pontos percentuais da HbA1c, enquanto o grupo placebo praticamente não mudou. Alguns participantes chegaram a níveis de pré‑diabetes (HbA1c abaixo de 5,7%).
Redução do peso e do IMC: também houve melhora no peso corporal. O estudo mostrou redução do IMC, o que é relevante porque, no diabetes tipo 2, o excesso de peso costuma piorar a resistência à insulina e aumentar o risco cardiometabólico.
Em relação à segurança, o comportamento do medicamento foi parecido com o que já se observa em adultos. Os efeitos adversos mais comuns foram:
náusea
vômito
desconforto abdominal
Esses sintomas apareceram mais no início do tratamento e tenderam a diminuir com o tempo. No estudo, a dose máxima usada no público pediátrico foi de 10 mg por semana.
Em resumo, esse estudo mostrou que a tirzepatida pode ajudar adolescentes com diabetes tipo 2 a melhorar dois pontos centrais do tratamento: controle da glicose e manejo do peso.
Assim como adultos, crianças e adolescentes precisam seguir uma caminhada em etapas para controlar o diabetes tipo 2. Segundo as recomendações do Ministério da Saúde, são três pilares fundamentais:
Alimentação equilibrada e educação nutricional: reduzir o consumo de açúcares simples e ultraprocessados, aumentar a ingestão de verduras, frutas e fibras, e ajustar as porções. A reeducação alimentar deve envolver toda a família.
Atividade física regular e sono adequado: movimentar‑se ajuda a controlar a glicemia e a sensibilidade à insulina. Praticar esportes, caminhar, pedalar ou dançar vale para crianças e pais. Um sono de qualidade também está relacionado ao controle da glicose.
Educação em autogestão do diabetes (DSMES): aprender a monitorar os níveis de glicemia, reconhecer sinais de hiper e hipoglicemia e entender a importância da adesão ao tratamento são atitudes que empoderam o jovem.
O Mounjaro não substitui a metformina nem dispensa o acompanhamento nutricional e a prática de exercícios. Ele é um recurso a mais no arsenal terapêutico, indicado para pacientes que já fizeram mudanças de estilo de vida e utilizaram os medicamentos iniciais, mas ainda não atingiram o controle ideal.
Para quem convive com diabetes tipo 2 na infância ou adolescência, cada nova ferramenta representa esperança de mais qualidade de vida. Algumas vantagens se destacam:
Melhor adesão: a aplicação semanal simplifica a rotina, evitando múltiplas injeções diárias e contribuindo para maior autonomia do jovem.
Efeito duplo: ao atuar nos receptores GIP e GLP‑1, a tirzepatida estimula a secreção de insulina de forma dependente da glicose e diminui a liberação de glucagon, evitando picos de açúcar no sangue. Essa ação reduz a necessidade de doses altas de insulina e ainda ajuda a controlar o peso.
Potencial cardiometabólico: embora ainda não haja estudos robustos em crianças, em adultos a classe dos agonistas do GLP‑1 está associada à redução de eventos cardiovasculares.
Prevenção de complicações: ao manter a glicemia mais próxima do normal, diminui-se o risco de lesões em rins, olhos, nervos e coração ao longo dos anos.
É compreensível que pais e responsáveis fiquem empolgados com uma nova opção, mas alguns cuidados precisam ser observados para garantir o melhor resultado:
Prescrição individualizada: apenas um endocrinologista ou pediatra com experiência em diabetes pode avaliar se a tirzepatida é adequada.
Observação de efeitos colaterais: enjoos e desconfortos gastrointestinais são comuns no início, mas tendem a diminuir com o ajuste gradual da dose. Relate quaisquer sintomas ao médico para que ele possa orientar a continuidade ou interrupção do uso.
Consistência no estilo de vida: sem mudanças alimentares, prática de exercícios e acompanhamento psicológico quando necessário, os benefícios da medicação se dissipam rapidamente. Tratamento medicamentoso é apenas uma parte do caminho.
Adolescentes vivem uma fase de grande influência social e pressão com a imagem corporal. É importante reforçar que a tirzepatida não é um medicamento para emagrecimento estético nem um atalho para alcançar um padrão corporal.
O foco do tratamento é o controle do diabetes tipo 2 e a proteção da saúde. O uso sem indicação pode estimular uma relação inadequada com o corpo e até contribuir para transtornos alimentares.
Adolescentes, em especial, podem se sentir pressionados ou inseguros ao iniciar uma nova terapia. A maneira como pais e cuidadores abordam o assunto influencia muito a adesão e a autoestima. Aqui vão algumas sugestões:
Converse com sinceridade: explique que o objetivo é manter a saúde a longo prazo, evitar complicações e possibilitar uma vida plena.
Valorize a autonomia: envolva o jovem no plano de tratamento. Permita que ele escolha o momento da aplicação semanal, participe do preparo dos alimentos e se informe sobre a doença. Esse protagonismo reduz a sensação de obrigação e estimula o autocuidado.
Normalize o uso de medicamentos: lembrar que muitas pessoas, de diferentes idades, fazem uso de canetas para diabetes pode reduzir o estigma.
Esteja atento às emoções: além dos aspectos físicos, o diagnóstico de diabetes impacta a saúde mental. Procure psicólogos especializados se perceber tristeza, irritação excessiva ou isolamento. O cuidado integral considera corpo e mente.
A aprovação da Anvisa aumenta a possibilidade de acesso ao Mounjaro, mas não significa que ele será distribuído amplamente ou sem custo.
Receita médica obrigatória: a tirzepatida é um medicamento de uso controlado. Farmácias e clínicas exigem prescrição para realizar a venda. Não adquira em sites desconhecidos ou redes sociais.
Acompanhamento regular: consulte seu médico periodicamente para avaliar a evolução do tratamento. Ajustes de dose podem ser necessários, assim como exames de sangue para monitorar a função hepática e renal.
A ampliação da indicação de Mounjaro para crianças e adolescentes a partir de 10 anos é uma notícia animadora para quem convive com o diabetes tipo 2 de início precoce, mas o medicamento age melhor quando combinado a uma alimentação equilibrada, prática de exercícios, acompanhamento médico e educação em saúde.
Na Belt Nutrition, acreditamos que compartilhar conhecimento de forma acessível é a chave para decisões conscientes. Se você é mãe, pai, tio, avó ou profissional de saúde, esperamos que este conteúdo te ajude a entender as novidades e a conversar com os pequenos sobre as melhores escolhas.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta com profissionais de saúde. Procure orientação de especialistas e nunca use medicamentos sem prescrição.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Anvisa amplia indicação do Mounjaro® para diabetes tipo 2 em crianças. Brasília, 22 abr. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/anvisa-amplia-indicacao-do-mounjaro-r-para-diabetes-tipo-2-em-criancas. Acesso em: 23 abr. 2026.
American Diabetes Association Professional Practice Committee for Diabetes*. 14. Children and Adolescents: Standards of Care in Diabetes-2026. Diabetes Care. 2026 Jan 1;49(Supplement_1):S297-S320. doi: 10.2337/dc26-S014. PMID: 41358890; PMCID: PMC12690182.
PEDIATRIC ENDOCRINE SOCIETY. New Meds and Tech: Mounjaro (tirzepatide) approved in Pediatrics. 24 fev. 2026. Disponível em: https://pedsendo.org/new-meds-and-tech/new-drugs-and-therapeutics-update-new-meds-and-tech-mounjaro-tirzepatide-approved-in-pediatrics/. Acesso em: 23 abr. 2026.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Cresce a incidência de diabetes tipo 2 entre crianças e adolescentes. Disponível em: https://diabetes.org.br/cresce-a-incidencia-de-diabetes-tipo-2-entre-criancas-e-adolescentes/. Acesso em: 23 abr. 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diabetes (diabetes mellitus). Brasília. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/diabetes. Acesso em: 23 abr. 2026.
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