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A dieta cetogênica ganhou popularidade entre pessoas que buscam perder peso e controlar o diabetes tipo 2. Com a proposta de cortar drasticamente os carboidratos e aumentar o consumo de gorduras, ela promete melhorar a glicemia, reduzir a resistência à insulina e favorecer o emagrecimento. Mas será que esses efeitos acontecem sempre?
Um novo estudo científico lançou luz sobre essa questão ao investigar o que acontece quando uma pessoa com diabetes tipo 2 e obesidade segue a dieta cetogênica sem perder peso. O resultado surpreende: sem emagrecimento, os benefícios esperados simplesmente não aparecem e alguns efeitos podem até ser indesejados.
Entenda a seguir como a dieta cetogênica funciona, o que realmente muda no organismo de quem tem diabetes tipo 2, e por que a perda de peso continua sendo a chave para o sucesso de qualquer plano alimentar.
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A dieta cetogênica, ou simplesmente "cetogênica", é um tipo de alimentação que reduz drasticamente o consumo de carboidratos (como pães, massas, arroz, frutas e açúcar) e aumenta a ingestão de gorduras (como azeite, abacate, ovos e carnes). O objetivo é forçar o corpo a entrar em um estado chamado cetose, no qual ele passa a usar gordura como principal fonte de energia, em vez da glicose.
Esse tipo de dieta costuma chamar a atenção de pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade por alguns motivos:
A promessa de controle glicêmico sem necessidade de remédios, somada à perda rápida de peso, torna a cetogênica bastante popular. Mas isso nem sempre acontece como esperado, e um estudo recente mostra o que acontece quando a pessoa não emagrece com essa estratégia.
Para entender melhor como funciona esse tipo de alimentação, seus benefícios gerais e sugestões de cardápio, veja nosso conteúdo completo sobre dieta cetogênica: cardápio, benefícios e como fazer.
Quando uma pessoa com diabetes tipo 2 começa uma dieta cetogênica, o corpo passa por mudanças metabólicas importantes. A principal delas é a queda no consumo de carboidratos, que são justamente os alimentos que mais influenciam a glicemia. Com isso, o organismo passa a depender das gorduras como fonte de energia.
Essa mudança pode parecer promissora para quem tem diabetes, já que reduz os picos de açúcar no sangue. Mas é preciso entender como o corpo reage de verdade, especialmente em pessoas que não estão perdendo peso.
Veja o que, em geral, acontece no organismo:
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É comum associar a cetose a uma melhora na diabetes tipo 2, mas essa associação só é válida quando a dieta leva à perda de peso. Caso contrário, o corpo pode continuar enfrentando os mesmos obstáculos:
Um estudo publicado em 2024 no periódico científico BMJ Open Diabetes Research & Care testou justamente essa hipótese: o que acontece quando uma pessoa com diabetes tipo 2 segue uma dieta cetogênica, mas sem perder peso?
O experimento contou com 29 adultos com obesidade e diabetes tipo 2, todos com peso estável e sob controle clínico. Eles foram divididos em três grupos, cada um seguindo uma dieta diferente por 10 dias:
Durante os 10 dias, nenhum dos participantes perdeu peso. As calorias foram controladas para que o peso fosse mantido, assim os pesquisadores poderiam observar o efeito da dieta sem interferência do emagrecimento.
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Esse estudo é um dos primeiros a demonstrar, de forma controlada, que a dieta cetogênica sozinha, sem emagrecimento, não traz os benefícios metabólicos esperados em pessoas com diabetes tipo 2.
Para quem deseja conferir a pesquisa completa, o artigo está disponível aqui.
A resposta mais honesta é: depende.
A dieta cetogênica pode sim ajudar no controle do diabetes tipo 2, desde que leve à perda de peso e seja feita com acompanhamento profissional. Vários estudos já mostraram que, ao emagrecer, a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 melhora seus níveis de glicose, reduz a necessidade de medicamentos e apresenta melhora na sensibilidade à insulina, e isso pode acontecer com diferentes tipos de dieta, inclusive a cetogênica.
Por outro lado, o estudo mais recente mostrou que, sem emagrecimento, seguir uma dieta cetogênica não traz melhora no controle da glicemia. Assim, o corpo continua resistente à insulina, e o pâncreas passa a produzir ainda mais insulina, o que pode ser um sinal de sobrecarga.
Portanto, mais importante do que o nome da dieta é entender se ela está ajudando a reduzir peso, melhorar a sensibilidade à insulina e manter a saúde no longo prazo. Isso vale para qualquer pessoa com diabetes tipo 2, com ou sem obesidade.
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Não existe uma única resposta certa para todas as pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade. O que funciona para uma pode não funcionar para outra, por isso, a melhor dieta é aquela que promove resultados consistentes, seguros e que pode ser mantida ao longo do tempo.
A dieta cetogênica pode ser válida, desde que leve à perda de peso e seja acompanhada por profissionais. O que o estudo demonstrou é que ela não faz milagres sozinha: cortar carboidratos sem emagrecer não melhora a glicemia, nem a sensibilidade à insulina e pode até forçar o pâncreas a trabalhar mais.
Com o avanço das pesquisas, cada vez mais se entende que o sucesso no controle do diabetes não está apenas no tipo de dieta, mas em como ela é aplicada e mantida. A supervisão de um nutricionista faz toda a diferença nesse processo.
Se você convive com diabetes tipo 2 e está buscando uma dieta eficaz, converse com um profissional de saúde. Há caminhos possíveis e a melhor escolha será aquela que une ciência, equilíbrio e cuidado com o seu corpo.
Merovci A, Finley B, Hansis-Diarte A, Neppala S, Abdul-Ghani MA, Cersosimo E, Triplitt C, DeFronzo RA. Effect of weight-maintaining ketogenic diet on glycemic control and insulin sensitivity in obese T2D subjects. BMJ Open Diabetes Res Care. 2024 Oct 18;12(5):e004199. doi: 10.1136/bmjdrc-2024-004199. PMID: 39424350; PMCID: PMC11492932.
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