Tratamento medicamentoso: canetas emagrecedoras e suporte GLP‑1 | Dia Mundial da Obesidade

Tratamento medicamentoso: canetas emagrecedoras e suporte GLP‑1 | Dia Mundial da Obesidade

Este conteúdo integra a série especial da Belt Nutrition sobre o Dia Mundial da Obesidade, um tema central na essência e no propósito da marca.

O Dia Mundial da Obesidade (4 de março) lembra que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e de cuidados contínuos, como explicamos nas publicações anteriores sobre obesidade infantil, prevenção e tratamento e cirurgia bariátrica.

Para complementar essa série educativa, abordaremos o tratamento medicamentoso de maior destaque atualmente, também conhecido como “canetas emagrecedoras” ou agonistas do GLP‑1.

Novos fármacos multiplicaram as opções terapêuticas e mostraram resultados que trouxeram muitas esperanças para pessoas com obesidade, mas exigem acompanhamento profissional e fazem parte de um plano integrado com alimentação, suplementação e atividade física.

Assim como a cirurgia bariátrica e metabólica, o tratamento medicamentoso da obesidade não promete cura e não é uma solução milagrosa, mas aumenta o leque de opções que ajudam a manter a doença sob controle.

Como surgiram os medicamentos antiobesidade

Durante décadas, a obesidade foi tratada apenas com mudança de estilo de vida e, nos casos severos, com cirurgia bariátrica. As limitações dessas abordagens levaram à busca de terapias farmacológicas.

Os primeiros medicamentos atuavam na absorção de gorduras ou no sistema nervoso central e tinham eficácia limitada. A revolução atual começou com a descoberta de hormônios intestinais como o peptídeo‑1 semelhante ao glucagon (GLP‑1).

Produzido naturalmente no intestino em resposta ao alimento, o GLP‑1 estimula a secreção de insulina, reduz o esvaziamento gástrico e aumenta a sensação de saciedade. Agonistas de GLP‑1, desenvolvidos inicialmente para tratar o diabetes tipo 2, passaram a ser estudados para redução de peso e demonstraram benefícios metabólicos adicionais, como diminuição do risco cardiovascular.

Além de fármacos baseados apenas em GLP‑1, as indústrias desenvolveram agonistas duais, como a tirzepatida, que também ativa o receptor do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP). Ensaios recentes testam agonistas triplos (GLP‑1/GIP/glucagon), como a retatrutida e moléculas orais em fase avançada de desenvolvimento, expandindo o arsenal terapêutico.

Multivitamínico completo para quem usa canetas emagrecedoras

Como funcionam as “canetas emagrecedoras”

Na forma mais conhecida, esses medicamentos são aplicados semanalmente por meio de uma caneta autoinjetável. A substância ativa imita o GLP‑1, ligando‑se ao receptor desse hormônio e provocando várias respostas:

  • Aumento da saciedade e redução do apetite: o GLP‑1 atua nos centros de fome do hipotálamo, reduzindo o “ruído alimentar” (vontade constante de comer).

  • Esvaziamento gástrico mais lento: isso prolonga a sensação de estômago cheio e ajuda a controlar porções.

  • Estímulo da secreção de insulina e diminuição do glucagon: melhora a glicemia e reduz o risco de desenvolver diabetes. Por isso, esses fármacos são usados há anos em pessoas com diabetes tipo 2.

  • Efeitos cardiovasculares e renais benéficos: estudos de longa duração mostraram redução de eventos cardiovasculares e melhora da função renal em pacientes diabéticos.

Embora o mecanismo principal seja hormonal, o resultado depende de uma dieta hipocalórica e atividade física, que potencializam o efeito do medicamento e ajudam a manter a massa muscular, como veremos adiante.

O que dizem os estudos sobre eficácia dos medicamentos para obesidade

A eficácia dos medicamentos antiobesidade foi comprovada em ensaios clínicos de grande porte. Destacamos alguns resultados recentes:

Semaglutida (Wegovy®/Ozempic®)

  • Dose padrão (2,4 mg): estudos clínicos demonstraram redução média de 10% –15% do peso corporal em 68 semanas, com muitos participantes alcançando perda superior a 15%. A mesma dose reduziu a gordura corporal em 18% e preservou a massa magra após os primeiros meses de tratamento.

  • Dose elevada (7,2 mg): um ensaio STEP UP de 2025, publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology, comparou doses de 2,4mg e 7,2mg. No grupo de 7,2mg, quase metade dos participantes perdeu ≥ 20% do peso, enquanto cerca de um terço perdeu ≥ 25%. Em adultos sem diabetes, a perda média foi de aproximadamente 19%, comparada a 16% com 2,4mg e 4% com placebo. O ensaio destaca melhora da circunferência da cintura, pressão arterial e colesterol, com efeitos adversos gastrointestinais leves e temporários.

Tirzepatida (Mounjaro®/Zepbound®)

O tirzepatida é um agonista dual GIP/GLP‑1 aprovado para o tratamento de diabetes e obesidade.

No ensaio SURMOUNT‑1, adultos com sobrepeso ou obesidade e sem diabetes obtiveram perdas de 16,0%, 21,4% e 22,5% do peso corporal, respectivamente, com doses de 5 mg, 10 mg e 15 mg, após 72 semanas.

A maioria dos participantes atingiu uma perda ≥ 5% (89,4% – 96,3%). Todos receberam acompanhamento dietético (déficit de 500 kcal/dia) e exercício (≥ 150 min/semana).

Revisões e meta‑análises

Uma revisão Cochrane de 2026, comissionada pela OMS, analisou três classes de agonistas de GLP‑1 (liraglutida, semaglutida e tirzepatida).

Os autores concluíram que todos os medicamentos produzem perda de peso significativa, mas os resultados variam: tirzepatida reduziu em média 16% do peso, semaglutida aproximadamente 11% e liraglutida aproximadamente 4% – 5%.

No entanto, evidências de longo prazo ainda são escassas, e os estudos têm forte participação da indústria farmacêutica.

Tratamento combinado com cirurgia bariátrica

Nos posts anteriores abordamos a cirurgia bariátrica, indicada para pessoas com IMC elevado e comorbidades graves.

Apesar dos resultados expressivos, até 20% – 25% dos pacientes apresentam perda de peso insuficiente ou reganho após a cirurgia.

O uso de agonistas de GLP‑1 surge como estratégia complementar para esses casos de reganho de peso pós-bariátrica:

  • Uma meta‑análise de 2025 avaliou 769 participantes que iniciaram agonistas de GLP‑1 após a cirurgia bariátrica. O estudo constatou que os pacientes tratados com GLP‑1 tiveram perda de peso significativamente maior que os que receberam placebo (SMD = 0,82). A náusea foi o efeito adverso mais frequente.

  • A conclusão dos autores é que iniciar o tratamento medicamentoso poucos meses após a cirurgia pode ajudar a prevenir o reganho, mas faltam pesquisas de longo prazo. Os especialistas recomendam avaliar individualmente cada paciente, considerando fatores como adesão à dieta, atividade física e custo do medicamento.

Dados observacionais também mostram aumento da procura por “canetas emagrecedoras” após a cirurgia. Um estudo em grande base de dados eletrônica nos Estados Unidos identificou que 14% dos 112.858 pacientes que fizeram cirurgia bariátrica entre 2015 e 2023 usaram agonistas de GLP‑1 no acompanhamento de até 10 anos.

O uso foi maior em mulheres, em pessoas com obesidade severa ou diabetes prévio e em quem apresentou menor perda de peso pós‑operatória. Esses achados reforçam a necessidade de otimizar a combinação entre intervenção cirúrgica e tratamento farmacológico.

Efeitos colaterais e considerações de segurança

Embora eficazes, os agonistas de GLP‑1 não são isentos de efeitos adversos. Um artigo de revisão de 2026 no Journal of Clinical Investigation destacou várias questões de segurança:

  • Gastrointestinais: náuseas, vómitos, diarreia e constipação são os eventos mais comuns. A desaceleração do esvaziamento gástrico pode aumentar o risco de aspiração durante endoscopia ou anestesia.

  • Risco pancreático: preocupações anteriores sobre pancreatite e câncer de pâncreas foram refutadas por ensaios de longa duração.

  • Tireoide e visão: há indícios de risco elevado de câncer medular de tireoide e de retinopatia diabética rápida, por isso é recomendado rastrear a retina antes de iniciar o tratamento.

  • Perda de massa magra: estudos mostram que parte do peso perdido corresponde a músculo. Um estudo apresentado no congresso da Endocrine Society (ENDO 2025) relatou que até 40% da perda de peso com semaglutida correspondeu a massa magra; mulheres e idosos perderam mais músculo e o consumo inadequado de proteínas agravou a perda. Outro estudo de coorte (SEMALEAN) observou que a semaglutida 2,4mg reduziu a massa magra em cerca de 3 kg nos primeiros 7 meses, estabilizando depois, enquanto a força de preensão manual melhorou.

  • Efeitos psicológicos e acesso: alguns usuários relatam ansiedade e alterações de humor; estudos também revelam uso inadequado (compra de medicamentos sem prescrição) e peso recuperado rapidamente após suspender o tratamento. Uma revisão de 2025 apontou que pessoas que interromperam medicamentos para emagrecimento recuperaram peso quatro vezes mais rápido (0,4kg/mês vs. 0,1kg/mês) em comparação com programas de controle de peso baseados em comportamento.

Em resumo, o uso de medicamentos deve ser prescrito e acompanhado por profissionais, considerando condições médicas pré‑existentes, histórico familiar de câncer de tireoide, risco de deficiência nutricional e interações medicamentosas.

Os órgãos reguladores (NICE no Reino Unido, FDA nos EUA e Anvisa no Brasil) recomendam utilizar esses fármacos somente em pessoas com IMC ≥ 30 kg/m², ou ≥ 27 kg/m² com comorbidades, sempre associado a dieta hipocalórica e exercícios.

Suporte nutricional, suplementação e exercício físico

Os medicamentos antiobesidade não substituem um estilo de vida saudável. Para atingir resultados sustentáveis e minimizar efeitos adversos, recomenda‑se:

  1. Planejamento alimentar personalizado

O tratamento medicamentoso reduz o apetite, mas é fundamental manter uma dieta equilibrada em nutrientes. A ingestão adequada de proteínas (1,0 – 1,2 g/kg/dia) ajuda a preservar a massa magra e a função muscular. Inclua fontes como carnes magras, peixes, ovos, leguminosas e suplementos proteicos de qualidade quando necessário.

  1. Suplementação de vitaminas e minerais

A redução da ingestão energética e a menor absorção de nutrientes podem resultar em deficiências de ferro, vitamina B12, vitamina D e cálcio, principalmente em pessoas que já fizeram cirurgia bariátrica

  1. Exercícios de força e aeróbicos

Praticar musculação ou exercícios resistidos 2 a 3 vezes por semana é essencial para preservar a massa magra, mantendo músculos e ossos. Associar com atividade aeróbica (caminhada, corrida, ciclismo) melhora o gasto energético, a aptidão cardiorrespiratória e a sensibilidade à insulina.

  1. Hidratação e fibras

Aumentar a ingestão de água e fibras (frutas, vegetais, grãos integrais) ajuda no funcionamento intestinal e no controle do apetite.

  1. Acompanhamento multidisciplinar

Nutricionistas, médicos, psicólogos e educadores físicos são parceiros para monitorar o progresso, ajustar doses, lidar com efeitos colaterais e apoiar a saúde mental. A obesidade é uma doença crônica e multifatorial: o tratamento é perene, logo os cuidados precisam ser contínuos.

Medicamentos orais ou injetáveis para o tratamento da obesidade 

A chegada dos agonistas de GLP‑1 e das “canetas emagrecedoras” inaugurou uma nova era no tratamento da obesidade, demonstrando a dedicação da ciência ao encontro de novas estratégias para auxiliar pessoas com a doença.

Ensaios clínicos mostram perdas de peso muito expressivas, melhoria de comorbidades e possível redução de eventos cardiovasculares.

Todavia, os medicamentos não são soluções simples, nem definitivas: apresentam efeitos colaterais, exigem prescrição e, na ausência de mudanças no estilo de vida, o peso pode retornar rapidamente.

Em alguns pacientes, sobretudo após a cirurgia bariátrica, a combinação do tratamento medicamentoso com a intervenção cirúrgica pode reforçar a perda de peso.

A Belt Nutrition acredita na educação e no cuidado integral. Continue a praticar hábitos saudáveis, mantenha uma rede de apoio e conte com nosso Suporte GLP-1 para emagrecer melhor, mantendo a saúde muscular e nutricional em dia.

Referências

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Suporte GLP-1 - Canetas emagrecedoras



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