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Saxenda® na série Canetas Emagrecedoras Belt Nutrition
A série da Belt Nutrition sobre canetas emagrecedoras acompanha as principais medicações injetáveis usadas no tratamento da obesidade. Já falamos sobre Mounjaro®/tirzepatida, Wegovy®/semaglutida, Ozempic®/semaglutida e Wegovy HD. Agora, o foco é o Saxenda®, nome comercial da liraglutida 3 mg.
A Saxenda ocupa um lugar diferente. Antes de as canetas semanais ganharem destaque nas redes sociais, a liraglutida já era uma opção aprovada para o controle crônico do peso. Ela é uma medicação de aplicação diária e segue sendo parte do tratamento da obesidade para determinados perfis de pacientes.
Acompanhe este conteúdo para entender para que serve a Saxenda, como usar, se precisa de receita, quais cuidados são necessários e onde ela se encaixa entre as medicações atuais.
Olire® e Lirux® – Canetas emagrecedoras brasileiras
Saxenda® é um medicamento injetável à base de liraglutida, uma substância que pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
O GLP-1 é um hormônio relacionado à saciedade, ao apetite e ao controle da glicose no sangue. Basicamente, medicamentos como a liraglutida ajudam o corpo a reconhecer melhor os sinais de saciedade e podem reduzir a ingestão calórica ao longo do tratamento.
A principal diferença entre Saxenda® e algumas medicações mais recentes está na frequência de aplicação. Enquanto medicamentos como Wegovy® e Mounjaro® são aplicados uma vez por semana, a Saxenda® é aplicada diariamente.
Isso mostra que cada medicamento tem um perfil diferente, com indicação, dose, frequência, tolerância e resposta clínica próprias.
A Saxenda® serve para o controle crônico do peso, sempre associada a dieta com redução calórica, aumento da atividade física e acompanhamento profissional.
De acordo com a Anvisa, a liraglutida 3 mg é indicada para adultos com:
IMC igual ou maior que 30 kg/m², caracterizando obesidade;
IMC igual ou maior que 27 kg/m², quando há pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como pré-diabetes, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia ou apneia obstrutiva do sono.
A bula também prevê o uso em adolescentes a partir de 12 anos, com peso acima de 60 kg e obesidade, desde que haja acompanhamento médico especializado.
Mounjaro® / Tirzepatida para crianças e adolescentes: no controle do diabetes tipo 2
Esse ponto merece atenção: o Saxenda® não é um medicamento para uso estético. Faz parte de um tratamento para obesidade e sobrepeso com risco metabólico associado. A prescrição precisa considerar histórico clínico, uso de outros medicamentos, resposta ao tratamento, efeitos adversos e objetivos possíveis para cada pessoa.
A liraglutida atua imitando parte da ação do GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. Agindo para:
aumentar a sensação de saciedade;
reduzir a fome;
diminuir o volume alimentar ao longo do dia;
retardar o esvaziamento gástrico;
melhorar a resposta da insulina quando a glicose está elevada;
reduzir a liberação de glucagon, hormônio que pode aumentar a glicemia.
Essa combinação ajuda a explicar por que muitas pessoas comem menos durante o tratamento. Porém, comer menos não significa, automaticamente, comer melhor. Esse é um dos pontos mais importantes para quem usa canetas emagrecedoras.
Quando o apetite cai, também pode diminuir a ingestão de proteínas, fibras, vitaminas, minerais e líquidos. E isso faz do acompanhamento nutricional um ponto essencial: ele ajuda a preservar massa magra, reduzir desconfortos gastrointestinais e manter uma rotina alimentar mais segura.
A Saxenda® é aplicada uma vez ao dia, por via subcutânea, no abdômen, na coxa ou na parte superior do braço. O local de aplicação deve ser alternado, e o uso precisa seguir a orientação médica.
A dose costuma ser aumentada gradualmente. Essa progressão existe para melhorar a tolerância do organismo, já que náusea, vômito, diarreia e constipação estão entre os efeitos mais comuns no início do tratamento.
De forma geral, a escalada de dose segue este padrão:
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Período |
Dose diária usual |
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Semana 1 |
0,6 mg |
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Semana 2 |
1,2 mg |
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Semana 3 |
1,8 mg |
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Semana 4 |
2,4 mg |
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A partir da semana 5 |
3,0 mg |
A dose de manutenção é de 3,0 mg ao dia. Doses maiores não são recomendadas.
Após 12 semanas usando a dose de 3,0 mg ao dia, o tratamento deve ser reavaliado. Se não houver perda de pelo menos 5% do peso inicial em adultos, a continuidade do medicamento pode não ser indicada. Em adolescentes, a bula considera outro critério de resposta, relacionado ao IMC.
A decisão sobre uso e dosagens precisa ser feita pelo médico que acompanha e prescreve a medicação ao paciente, considerando resposta clínica, tolerância, rotina alimentar, presença de comorbidades e segurança.
Sim. Saxenda® precisa de receita médica.
No Brasil, os medicamentos agonistas de GLP-1 passaram a ter controle mais rigoroso de dispensação. A Anvisa determinou que a venda desses medicamentos ocorra com retenção da receita em farmácias e drogarias.
Isso significa que não basta apresentar uma receita: uma via fica retida no estabelecimento. A medida foi adotada para reduzir o uso indiscriminado dessas medicações, especialmente diante do aumento de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas.
Esse controle também protege o paciente de práticas perigosas, como automedicação, compra por canais irregulares, manipulações inadequadas ou uso de produtos falsificados.
Sim, a Saxenda® pode contribuir para perda de peso quando usada conforme indicação, com dieta e exercício.
Um dos principais estudos com liraglutida 3 mg foi o SCALE Obesity and Prediabetes, publicado no New England Journal of Medicine. O estudo avaliou adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades, todos acompanhados com orientação para alimentação e exercício.
Após 56 semanas, o grupo que recebeu liraglutida 3 mg perdeu, em média, 8,4 kg, enquanto o grupo placebo perdeu 2,8 kg. Além disso, 63,2% dos participantes que usaram liraglutida perderam pelo menos 5% do peso corporal, e 33,1% perderam mais de 10%.
Esses dados mostram que a medicação pode ajudar. Ao mesmo tempo, também deixam claro que o resultado não vem apenas da caneta. O tratamento inclui mudança alimentar, atividade física, acompanhamento e reavaliação.
Outro ponto importante: quando comparamos com medicações mais recentes, como semaglutida e tirzepatida, a liraglutida costuma apresentar perda média de peso menor. Ainda assim, pode ser uma alternativa para determinados pacientes, especialmente quando o médico avalia perfil de tolerância, acesso, histórico clínico e objetivos terapêuticos.
A liraglutida 3 mg também foi avaliada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) para possível incorporação ao SUS em um grupo específico: pessoas com obesidade, IMC acima de 35 kg/m², pré-diabetes e alto risco cardiovascular.
A recomendação final foi pela não incorporação ao SUS. A decisão considerou custo-efetividade, impacto orçamentário e a necessidade de garantir, de forma organizada, medidas não medicamentosas, como modificação intensiva do estilo de vida e suporte psicológico.
Esse ponto ajuda a ampliar a discussão. O tratamento da obesidade não depende apenas da existência de uma medicação. Depende também de acesso, acompanhamento, estrutura de cuidado e políticas públicas capazes de enxergar a obesidade como uma doença que precisa ser tratada com seriedade.
Os efeitos colaterais mais comuns da Saxenda® são gastrointestinais. Entre eles:
náusea;
vômito;
diarreia;
constipação;
dor abdominal;
refluxo;
sensação de estômago cheio;
gases e distensão abdominal.
Esses sintomas tendem a ser mais frequentes no início do tratamento ou durante o aumento da dose. Ainda assim, quando são intensos ou persistentes, precisam ser avaliados pelo médico.
Outras reações possíveis incluem dor de cabeça, tontura, fadiga, reações no local da aplicação, hipoglicemia em pessoas com diabetes que usam determinados medicamentos, alterações na vesícula biliar, pancreatite e reações alérgicas.
Pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 não devem usar liraglutida. Gestantes, lactantes e menores de 12 anos também não fazem parte do grupo indicado.
Esse é um ponto que precisa aparecer em qualquer conteúdo responsável sobre canetas emagrecedoras.
A Saxenda® pode reduzir o apetite e o volume alimentar. Se a pessoa passa a comer muito pouco, sem planejamento, pode perder também massa magra, além da gordura.
A perda de massa muscular é preocupa porque afeta força, disposição, metabolismo, funcionalidade e manutenção do peso. Por isso, o tratamento deve incluir:
ingestão adequada de proteínas;
exercícios de força, conforme orientação profissional;
hidratação;
atenção a micronutrientes;
acompanhamento da composição corporal sempre que possível.
Na visão da Belt Nutrition, o melhor resultado não é apenas emagrecer. É emagrecer com mais saúde, preservando músculos, energia e qualidade de vida.
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Medicamento |
Princípio ativo |
Frequência |
Indicação principal |
Conteúdo no blog |
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Saxenda® |
Liraglutida |
Diária |
Controle crônico do peso em adultos e adolescentes elegíveis |
Este conteúdo |
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Wegovy® |
Semaglutida |
Semanal |
Controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades |
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Ozempic® |
Semaglutida |
Semanal |
Diabetes tipo 2 |
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Mounjaro® |
Tirzepatida |
Semanal |
Diabetes tipo 2 e controle crônico do peso em adultos elegíveis |
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Wegovy® HD |
Semaglutida 7,2 mg |
Semanal |
Aprovado nos EUA para obesidade, ainda não aprovado no Brasil |
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Retatrutida |
Agonista de GLP-1, GIP e glucagon |
Em estudo |
Medicamento investigacional para obesidade |
Essa tabela não serve para escolher um medicamento. Ela ajuda a entender o cenário. A melhor opção depende de diagnóstico, histórico de saúde, resposta anterior, risco de efeitos adversos, acesso e acompanhamento médico.
Com a popularização das canetas emagrecedoras, também cresceu o risco de compras irregulares. Produtos vendidos sem registro, sem procedência clara ou fora de farmácias autorizadas podem conter substâncias erradas, doses imprecisas, contaminação ou nenhum princípio ativo.
A Anvisa já proibiu produtos divulgados como canetas de GLP-1 sem registro sanitário, reforçando que itens de origem desconhecida não oferecem garantia de qualidade ou segurança.
Esse alerta vale para todas as medicações da classe, incluindo a Saxenda. Se o tratamento envolve uma caneta injetável, a procedência importa tanto quanto a prescrição.
Sim, Saxenda® pode ajudar na perda de peso quando usada com prescrição médica, alimentação orientada e atividade física. Nos estudos, a liraglutida 3 mg apresentou perda média maior que placebo, mas a resposta varia de pessoa para pessoa.
Saxenda® serve para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades. Também pode ser indicada para adolescentes a partir de 12 anos, com obesidade e peso acima de 60 kg, conforme avaliação médica.
A aplicação é diária, por via subcutânea, no abdômen, coxa ou parte superior do braço. A dose costuma começar em 0,6 mg ao dia e aumentar gradualmente até 3,0 mg ao dia, conforme orientação médica.
Sim. Saxenda precisa de receita médica, e a venda ocorre com retenção da receita em farmácias e drogarias.
Não. Saxenda contém liraglutida e é aplicada diariamente. Ozempic® contém semaglutida, é aplicado semanalmente e tem indicação principal para diabetes tipo 2.
Não deve ser usada junto com outros agonistas de GLP-1 ou medicamentos semelhantes, salvo orientação médica específica. Combinações inadequadas podem aumentar o risco de efeitos adversos.
Náusea, vômito, diarreia, constipação, dor abdominal e desconfortos digestivos estão entre os mais frequentes. Também podem ocorrer reações no local da aplicação, dor de cabeça e tontura.
Em adultos, a bula orienta reavaliar a continuidade se não houver perda de pelo menos 5% do peso inicial após 12 semanas na dose de 3,0 mg ao dia.
A Saxenda®/liraglutida foi uma das primeiras canetas aprovadas para o controle crônico do peso e ajudou a abrir caminho para uma nova fase no tratamento medicamentoso da obesidade.
Hoje, com a chegada de medicações semanais e novos estudos sobre agonistas de GLP-1, GIP e glucagon, ela já não é a única opção. Ainda assim, continua sendo uma alternativa que pode ser considerada em determinados perfis, sempre com prescrição, acompanhamento e avaliação de resposta.
Para a Belt Nutrition, falar sobre Saxenda® é mais do que explicar uma caneta. É reforçar que o tratamento da obesidade precisa considerar o corpo todo: apetite, metabolismo, massa magra, saúde intestinal, micronutrientes, rotina alimentar, movimento e saúde emocional.
A série Canetas Emagrecedoras segue com esse compromisso: traduzir as atualizações da ciência com responsabilidade, sem simplificar demais uma doença complexa e sem transformar medicamento em promessa.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Liraglutida é aprovada como tratamento auxiliar para o controle do peso em adultos. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2016/liraglutida-e-aprovada-como-tratamento-auxiliar-para-o-controle-do-peso-em-adultos Acesso em: 7 mai. 2026.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Entra em vigor norma que prevê retenção de receita para medicamentos agonistas GLP-1. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/entra-em-vigor-norma-que-preve-retencao-de-receita-para-medicamentos-agonistas-glp-1 Acesso em: 7 mai. 2026.
NOVO NORDISK. Saxenda® (liraglutida): bula profissional de saúde. Disponível em: https://www.novonordisk.com.br/content/dam/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/hcp/Saxenda_Bula_Profissional1.pdf Acesso em: 7 mai. 2026.
PI-SUNYER, X. et al. A randomized, controlled trial of 3.0 mg of liraglutide in weight management. New England Journal of Medicine, 2015;373(1):11-22. doi: 10.1056/NEJMoa1411892.
BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Relatório de Recomendação nº 837: liraglutida 3 mg para o tratamento de pacientes com obesidade e IMC acima de 35 kg/m², pré-diabetes e alto risco de doença cardiovascular. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2023/Relatrio_837_liraglutida_obesidade.pdf Acesso em: 7 mai. 2026.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anvisa proíbe canetas emagrecedoras sem registro no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-proibe-canetas-emagrecedoras-sem-registro-no-brasil Acesso em: 7 mai. 2026.
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