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Sabe aquela sensação de não conseguir se concentrar como antes? De esquecer o que ia dizer no meio da frase ou ter que reler a mesma mensagem várias vezes até entender o que está escrito? Muitas mulheres na menopausa descrevem exatamente isso. É como se a mente estivesse embaçada, lenta, fora de sintonia com o que o dia exige. Existe uma explicação e um nome para isso: brain fog.
Chamado também de névoa mental, o brain fog é uma queixa comum entre as mulheres. Embora não seja uma doença ou um diagnóstico clínico isolado, ele interfere de forma real na rotina. Pode atrapalhar o raciocínio, a memória recente, a concentração e tudo o que antes parecia automático, agora exige esforço. Ao se acumular com noites mal dormidas, ondas de calor e variações de humor, a mente realmente parece travar.
O brain fog é resultado de um conjunto de fatores que envolvem desde mudanças hormonais até alterações em redes cerebrais envolvidas na memória, atenção e linguagem.
Durante a transição da menopausa, os níveis de estradiol começam a oscilar e, posteriormente, caem de forma significativa. Esse hormônio está diretamente ligado ao funcionamento de áreas cerebrais como o hipocampo e o córtex pré-frontal, regiões essenciais para a memória, a atenção e a fluência verbal.
Além disso, sintomas comuns da menopausa contribuem para essas alterações cognitivas:
No guia que reúne evidências e orientações para a prática clínica, da Sociedade Internacional da Menopausa (2022), foi apontado que cuidar de ondas de calor, sono e humor pode ajudar a cognição, mas ainda não há estudos suficientes para indicar terapia hormonal com a finalidade específica de melhorar a memória ou prevenir declínio cognitivo.
Pesquisadores analisaram relatos de 230 mulheres com idade média de 46 anos participantes do Seattle Midlife Women’s Health Study. As participantes descreveram se perceberam mudanças na memória, quando isso começou, como essas mudanças apareciam no dia a dia e a que fatores elas mesmas atribuíam essas mudanças.
Os tipos de mudança descritos foram:
Reforçando que o brain fog na menopausa é multifatorial e que o cuidado precisa ser amplo, as próprias participantes atribuíram as mudanças principalmente a fatores, como:
Embora a névoa mental possa causar preocupação, é importante diferenciar esses sintomas de demência. Pacientes com demência frequentemente não percebem seus problemas de memória, pois são os familiares que notam. Já os esquecimentos relacionados à menopausa tendem a permanecer estáveis ou até melhorar com o tempo, enquanto a demência é progressiva.
A doença de Alzheimer afeta principalmente pessoas acima de 65 anos, e casos antes dessa idade são raros, especialmente sem histórico familiar.
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A relação entre o ômega-3 e o cérebro não é novidade: o DHA é um dos principais componentes das membranas dos neurônios, e o EPA atua em vias ligadas ao humor, à inflamação e à comunicação entre as células cerebrais.
Durante a transição da menopausa, com a queda do estradiol, esse equilíbrio pode ser afetado e aí entra a importância de manter uma ingestão adequada dessas gorduras.
Fontes e cuidados:
A dose ideal para ajudar no brain fog ainda não está bem definida. Vale conversar com um(a) profissional de saúde para avaliar a real necessidade de suplementação e a melhor forma de uso.
Procure avaliação profissional se perceber que a névoa mental está saindo do controle ou vindo acompanhada de outros sinais que exigem cuidado.
Sinais de alerta
O brain fog na menopausa é uma queixa comum e, na maioria dos casos, leve, com tendência a melhorar após a transição. Trata-se de um quadro multifatorial: oscilações hormonais, ondas de calor, noites mal dormidas e alterações de humor podem afetar memória, foco e clareza mental.
Na prática, vale direcionar cuidados para o que comprovadamente impacta a cognição: controlar sintomas vasomotores, organizar o sono e tratar o humor. Manter uma rotina consistente de atividade física e uma alimentação saudável, além de cultivar vínculos e interação social.
Incluir fontes de ômega-3 (EPA/DHA) é uma opção alinhada às evidências científicas e a suplementação pode ser considerada de forma individualizada, com orientação profissional. Se os esquecimentos estiverem frequentes ou já atrapalhando suas tarefas, marque uma avaliação médica: entender o quadro e ajustar sono, sintomas e alimentação costuma trazer resultados benéficos à saúde da mulher.
Minihane AM. Omega-3 fatty acids, brain health and the menopause. Post Reprod Health. 2025 Jun;31(2):97-104. doi: 10.1177/20533691251341701. Epub 2025 May 30. PMID: 40444522; PMCID: PMC12209554.
Maki PM, Jaff NG. Brain fog in menopause: a health-care professional's guide for decision-making and counseling on cognition. Climacteric. 2022 Dec;25(6):570-578. doi: 10.1080/13697137.2022.2122792. Epub 2022 Sep 30. PMID: 36178170.
International Menopause Society. Brain fog and memory difficulties in menopause – World Menopause Day 2022 [Internet]. London (UK): IMS; 2022 [cited 2025 Sep 4]. Disponível em: https://www.imsociety.org/wp-content/uploads/2022/09/ENGLISH-WMD-Leaflet.pdf
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